Canelinha, ex-vereador de Paraíba do Sul, tem prisão decretada | JC Online

Canelinha, ex-vereador de Paraíba do Sul, tem prisão decretada




O ex-vereador de Paraíba do Sul, Júlio de Souza Bernardes, o Canelinha (PTB), teve sua prisão determinada pela 3ª fase da Operação Registro Espúrio, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (5). A prisão, pedida pela PF, foi autorizada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Canelinha atualmente era chefe de gabinete do Ministro do Trabalho, Helton Yomura, que foi suspenso do cargo e teve buscas realizadas em seu gabinete.

Na decisão do STF, Yomura foi impedido de frequentar o Ministério do Trabalho e de manter contato com demais investigados ou servidores da pasta. Ele vai prestar um depoimento à polícia na manhã desta quinta.

Na nova fase da operação, a PF também cumpriu mandados de busca e apreensão no gabinete do deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP). Assim como Yomura, ele foi proibido de frequentar o ministério e de manter contato com outros investigados e servidores da pasta, exceto quando for imprescindível ao exercício do mandato de deputado.

A Operação Registro Espúrio investiga uma suposta organização criminosa integrada por políticos e servidores que teria cometido fraudes na concessão de registros de sindicatos pelo Ministério do Trabalho.

Marquezelli, que estava em seu gabinete quando os policiais federais chegaram, deu entrevista para a imprensa sobre a operação. Ele disse que não tem "nada a temer". "Vamos esperar a investigação. A gente sabe perfeitamente que esse é um trabalho que deve ser feito e esclarecido para a população. Nada a temer", afirmou.

O parlamentar também disse que foi informado por uma policial de que todos os deputados do PTB serão investigados. "O PTB hoje administra o Ministério do Trabalho. Houve denúncias, várias denúncias e a policial me informa que todos os deputados do PTB serão investigados, seus gabinetes, para ver se tem alguma ligação com concessões de registros de sindicatos", afirmou Marquezelli.

A PF diz que Yomura é "testa de ferro" do ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB. A 3ª fase da Operação Registro Espúrio, investiga fraudes na concessão de registros de sindicatos pelo Ministério do Trabalho.

 

 

Operação Registro Espúrio

Em maio deste ano, na primeira fase da operação, a polícia fez buscas nos gabinetes dos deputados federais Paulinho da Força (SD-SP), Jovair Arantes (PTB-GO) e Wilson Filho (PTB-PB), cujas prisões chegaram a ser pedidas pela PF, mas o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF) não autorizou.

Na época, Wilson Filho disse, por meio de nota, não ter participação na concessão de registros sindicais no Ministério do Trabalho. Paulinho da Força afirmou que desconhece os fatos investigados. Jovair Arantes disse que se posiciona "em consonância" com nota emitida pelo PTB, segundo a qual a direção do partido "jamais participou de quaisquer negociações espúrias".

Segundo as investigações, o "núcleo político" do suposto esquema teria como participantes, além dos deputados, o presidente do PTB, deputado cassado Roberto Jefferson; o suplente de deputado Ademir Camilo Prates Rodrigues (MDB-MG); e os senadores Dalírio Beber (PSDB-SC) e Cidinho Santos (PR-MT), atualmente licenciado do mandato.

Na ocasião, a PF também pediu a prisão de Roberto Jefferson, mas Fachin não atendeu. Segundo o ministro, há indícios de que ele sabia do esquema, mas não que tenha se beneficiado. Segundo nota divulgada pelo partido, a direção nacional do PTB "jamais participou de quaisquer negociações espúrias no Ministério do Trabalho".

 

Fonte: G1